O setor de construção civil segue sem sustos

Por Agostinho Celso Pascalicchio

O setor da construção civil, mesmo em consequência da elevação das taxas de juros nos financiamentos e da alta na inflação, está apresentando uma modesta desaceleração em sua demanda, com as vendas líquidas de imóveis totais ainda em níveis superiores aos números do ano passado. Entretanto, apesar dessa desaceleração, os empregos totais e as operações de crédito do sistema financeiro seguem bons.

carry-over do setor é alto. Os prazos necessários para cumprir as programações das construções são longos, fazendo com que a área seja uma das últimas a sentir os efeitos das medidas voltadas à desaceleração econômica e controle da inflação.

O valor das operações de crédito pelo sistema financeiro e o financiamento de unidades por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo ainda continuam em ritmo acelerado.

As informações de vendas e ofertas de novas residências pela indústria da construção civil seguem estáveis, porém, em níveis elevados. Já as vendas líquidas de imóveis totais mantiveram-se em patamares altos, mesmo com uma redução nos contratos fechados dentro do programa Casa Verde Amarela, que, entretanto, deve receber os estímulos dados pelo governo aos programas sociais e aos ajustes em suas taxas de juros a partir do segundo semestre deste ano.

O “carry-over” deste setor é alto e, até o momento, as diversas medidas que geram impactos sobre a economia, incluindo a PEC kamikaze, não estão causando nenhum susto para o setor da construção civil

O INCC/FGV, Índice Nacional de Custo da Construção, aponta que os preços dos produtos seguem elevados, o cimento é um dos exemplos. O CUB (Custo Unitário Básico) desonerado, que determina o custo global da obra, obtido através de pesquisa junto aos compradores, que, no caso, são as construtoras, também aumentou. Os indicadores de confiança e de expectativas dos empresários da construção civil estão positivos.

Os efeitos das medidas de desaceleração econômica, a Copa do Mundo, as eleições presidenciais e a recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, a PEC Kamikaze, que aumenta a série de benefícios sociais, a menos de três meses das eleições, estão gerando diversas expectativas para este final de ano, com significativas consequências para os próximos semestres, mas, até o momento, não causaram nenhum susto, consequência negativa ou surpresas para a construção civil.

Agostinho Celso Pascalicchio, doutor em Ciências; mestre em Teoria Econômica pela University of Illinois at Urbana-Champaign/USA. Bacharel em Ciências Econômicas (FEA-USP) e professor do curso de Engenharia de Produção na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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