Durante décadas, o desempenho das construtoras foi medido pelo volume de lançamentos e pela velocidade das vendas. Esse modelo, porém, já não responde sozinho às demandas de um setor cada vez mais pressionado por custos elevados, escassez de mão de obra e maior rigor regulatório.

Hoje, a sustentabilidade das empresas da construção civil está diretamente ligada à capacidade de tomar decisões consistentes ao longo do tempo. Governança corporativa, gestão de riscos e reputação deixaram de ser conceitos institucionais e passaram a ocupar papel central na estratégia das companhias.

Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) evidenciam esse cenário: cerca de 70% das empresas enfrentam escassez de profissionais qualificados, e 82% têm dificuldade em contratar mão de obra especializada — fatores que impactam diretamente custos, prazos e qualidade das entregas.

Governança além da burocracia

Para especialistas, ainda há uma percepção equivocada sobre governança no setor. Mais do que normas ou estruturas formais, ela define como as decisões são tomadas dentro das empresas.

Esse desafio é ainda maior nas empresas familiares, predominantes no setor, onde muitas vezes falta clareza estratégica e organização dos processos decisórios. A ausência de governança estruturada pode gerar perdas silenciosas, como desperdícios financeiros, baixa retenção de talentos e dificuldade de inovação.

Outro ponto crítico está na definição dos espaços de decisão. Sem uma separação clara entre níveis estratégico, tático e operacional, as empresas tendem a perder eficiência e qualidade nas escolhas.

Compliance ganha papel estratégico

O compliance também vem passando por uma mudança de percepção. Antes tratado como custo ou obrigação regulatória, hoje é visto como investimento na reputação e no fortalecimento institucional.

Empresas que adotam práticas consistentes de governança e conformidade conseguem ampliar a confiança de investidores e acessar melhores condições de financiamento, o que se traduz em vantagem competitiva no mercado.

Riscos além do canteiro de obras

Os desafios do setor vão além das questões operacionais. A dificuldade de atrair e reter talentos e a falta de estratégias claras de geração de valor ainda são riscos subestimados por muitas empresas.

Além disso, eventos climáticos extremos passaram a impactar diretamente o planejamento e a operação das construtoras, exigindo maior preparo para respostas rápidas e eficazes.

Reputação como ativo essencial

Em um ambiente de alta exposição digital, a reputação tornou-se um dos principais ativos das empresas. A credibilidade influencia não apenas a relação com clientes, mas também o acesso a capital e as oportunidades de expansão.

Nesse contexto, especialistas alertam: implementar governança apenas como formalidade pode ter efeito contrário. A coerência entre discurso e prática é determinante para consolidar a confiança no mercado.

O tema foi discutido no podcast Morar em Pauta, que reuniu representantes do setor para debater os desafios e caminhos da construção civil diante desse novo cenário.

O episódio já está disponível nas plataformas Spotify e Youtube.

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