Por Carlos Santana e Patricia Lombardi

O avanço da automação na infraestrutura de facilities — como edifícios corporativos, supermercados, farmácias e centros logísticos — vem abrindo caminho para ambientes mais inteligentes, sustentáveis e eficientes. A adoção de tecnologias conectadas permite controlar e otimizar, em tempo real, sistemas de energia, iluminação, segurança e climatização, proporcionando ganhos importantes em eficiência energética e operacional.

A digitalização desses ambientes está redefinindo o conceito de gestão de infraestrutura. Não se trata apenas de uma questão de manutenção e controle de consumo. Estamos falando sobre enxergar prédios, armazéns ou lojas como organismos inteligentes, capazes de gerar dados, aprender com eles e ajustar suas operações de forma automática. Isso representa uma mudança cultural e tecnológica, num cenário em que eficiência operacional, economia no uso de energia e corte das emissões caminham lado a lado.

Os sistemas de climatização — que podem representar de 35% a 65% da eletricidade consumida em um prédio, segundo um estudo da Schneider Electric e da RMIT (Royal Melbourne Institute of Technology) — são um dos principais alvos de automação. O controle inteligente de temperatura, umidade e ventilação permite equilibrar conforto e consumo, reduzindo desperdícios sem comprometer a experiência dos ocupantes.

Resultados práticos já comprovam esse impacto. Pesquisas do Schneider Sustainability Research Institute e do World Economic Forum mostram que a integração entre energia e automação pode gerar até 35% mais eficiência energética, 30% mais produtividade e 25% menos falhas. Em setores como o varejo, onde o gasto com refrigeração é expressivo, o potencial de economia e sustentabilidade é ainda maior.

A automação também se estende à iluminação, ao controle de bombas d’água e geradores, criando uma visão unificada de consumo e desempenho. Essa convergência tecnológica reduz custos operacionais em até 30% e aumenta a resiliência das operações, segundo dados da Schneider Electric.

Eficiência operacional: prevenir é mais eficiente que corrigir

A automação não se limita à economia de energia. Ela traz uma nova abordagem de prevenção e previsibilidade. Monitorar o nível de caixas d’água, detectar vazamentos e prevenir falhas antes de um eventual desabastecimento são práticas que evitam interrupções e perdas. Isso é também vale para sistemas de refrigeração de alimentos (como nos supermercados) ou medicamentos e insumos farmacêuticos (como em hospitais, farmácias e laboratórios de análises clínicas).

Em um país como o Brasil, ainda marcado por reatividade na manutenção e por oscilações no fornecimento de energia e água, a adoção de soluções baseadas em Internet das Coisas (IoT) é um divisor de águas. O monitoramento contínuo e o uso de dados em tempo real permitem decisões rápidas, reduzindo desperdício e aumentando a confiabilidade das operações.

Durante anos, as soluções de automação predial foram associadas a altos custos e projetos complexos. Essa realidade começou a mudar com a disseminação da IoT e de plataformas abertas, que permitem modular a aplicação da tecnologia conforme a necessidade e o porte de cada empreendimento.

Esses novos recursos, cada vez mais acessíveis, permitem que qualquer empresa invista em automação e também avance nesse quesito ao longo do tempo, evoluindo gradualmente  do controle de iluminação ou ar-condicionado para um sistema integrado de monitoramento e controle. O retorno sobre o investimento nessa solução costuma ser alcançado em até dois anos, em média, somente por meio da economia direta que ela proporciona. Em alguns casos, contudo, o ROI pode ser atingido em menos de doze meses.

O avanço da automação também responde à busca por maior eficiência na rotina operacional. Sistemas autônomos reduzem a necessidade de tarefas manuais repetitivas e liberam profissionais para funções mais analíticas e estratégicas. Em um cenário de transição energética e de pressão por sustentabilidade, automatizar é uma forma de usar menos, mas com mais inteligência.

Mais do que uma tendência, a digitalização da infraestrutura é uma condição para a alta competitividade. As empresas que compreenderem essa lógica terão vantagens em custo, resiliência e sustentabilidade, pilares fundamentais da nova economia de baixo carbono. Podemos concluir que o futuro das infraestruturas inteligentes passa pela convergência entre tecnologia, gestão e propósito, com espaços mais eficientes e conectados.

Carlos Santana é um executivo com mais de 20 anos de experiência na área comercial, atuando em estratégias de go-to-market, gestão de canais e liderança de operações de vendas com crescimento consistente de dois dígitos. Na Seal Sistemas, ele é responsável pelas áreas de Sales e, mais recentemente, pela Seal Connect, unidade de negócios de IoT, conduzindo iniciativas com foco em resultados, execução e fortalecimento do relacionamento com clientes B2B.

Patricia Lombardi é uma profissional com trajetória sólida desde 1998 no mercado B2B, com experiência nos setores químico — incluindo embalagens, plásticos e autoadesivos para os segmentos de alimentos e bebidas, farmacêutico e cuidados pessoais — e no setor de tecnologia, atuando com RFID e Building Management Systems (BMS). Possui ampla vivência em marketing e vendas, envolvendo planejamento estratégico, gestão e desenvolvimento de produtos, projetos, BI, comunicação, sustentabilidade e vendas técnicas. Há mais de seis anos atua na Schneider Electric, onde hoje ocupa a posição de Líder Regional do Segmento de Edificações para a América do Sul.

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