Projeto concebido para a Avenida Paulista aposta em estrutura flexível, elevadores panorâmicos, térreo aberto à cidade e teatro com plateia transformável
O escritório Libeskindllovet Arquitetos, em parceria com o argentino Ben-Avid Studio, apresentou sua proposta para a Carta Convite da Fundação Itaú que definiu o projeto do futuro edifício do Itaú Cultural na Avenida Paulista, vencida pelo Estúdio Módulo. A proposta esteve entre as finalistas do processo de seleção.
O projeto parte da ideia de tornar visível a dinâmica interna do equipamento cultural. Elevadores panorâmicos com capacidade para até 40 pessoas percorrem a fachada voltada para a Avenida Paulista, fazendo com que a circulação dos usuários participe da expressão arquitetônica do edifício. No térreo, a proposta prevê jardim, restaurante, áreas de permanência e espaços destinados a diferentes atividades, ampliando a relação entre o equipamento e o espaço público.
A implantação estabelece ainda uma relação com a própria trajetória da família Libeskind na avenida. A poucos quarteirões está o Conjunto Nacional, projetado por David Libeskind, pai de Claudio Libeskind, em 1955. Na nova proposta, Claudio Libeskind, Sandra Llovet e Martín Benavidez retomam a relação entre arquitetura, circulação e vida urbana diante de um programa cultural verticalizado e implantado em terreno de dimensões restritas.
Flexibilidade orienta organização dos espaços
A capacidade de adaptação a diferentes usos foi uma das principais premissas do projeto. Os pavimentos foram concebidos para permitir alterações de configuração e acomodar diferentes programas ao longo do tempo.
“A gente se perguntou o que seria um edifício cultural daqui a cinco anos. As coisas mudam tão rapidamente que queríamos fazer uma arquitetura que pudesse se adaptar, capaz de receber diferentes usos e programas ao longo do tempo”, afirma Sandra Llovet.
A mesma estratégia foi aplicada ao teatro. Com capacidade para 420 espectadores, a plateia utiliza o sistema Gala Venue, formado por plataformas metálicas elevatórias e poltronas giratórias. A solução permite transformar a área destinada aos assentos em um piso plano integral, ampliando as possibilidades de configuração do espaço sem demandar áreas técnicas adicionais para o recolhimento das arquibancadas.
Ao fundo do palco, um elevador de grandes dimensões foi projetado para exercer dupla função: além da movimentação de cargas, poderá ser incorporado como elemento cenográfico durante apresentações.
Edifício se abre para a Avenida Paulista
A distribuição vertical do programa também procura reduzir o impacto volumétrico do edifício. O teatro foi posicionado no subsolo, permitindo concentrar os demais ambientes em um único volume e evitar o escalonamento da edificação.
No nível da rua, a abertura do térreo e a presença do jardim procuram criar um espaço de permanência associado ao movimento cotidiano da Paulista. Já nos pavimentos superiores, a verticalização oferece novas perspectivas sobre a paisagem urbana.
“Nosso projeto parte de um entendimento de cultura que vai além da obra de arte. Cultura é a própria trama da vida urbana: os intercâmbios simbólicos, materiais e econômicos que sustentam a cidade”, afirma Claudio Libeskind.
A proposta foi desenvolvida pelo Libeskindllovet Arquitetos, escritório paulistano fundado por Sandra Llovet e Claudio Libeskind, em colaboração com o Ben-Avid Studio, fundado por Martín Benavidez e sediado em Córdoba, na Argentina.
















